- O que te angustia, minha pequena ninfa?
- Argh, o mundo, as pessoas, tudo! São todos tão estúpidos e ocupados com suas vidas medíocres e pensamentos idênticos!
- Você fica encantadora tomada pela raiva. Parece uma artista fraca e incompreendida.
- Não encosta em mim, eu não to brincando.
- Quando você reclama de outra pessoa, geralmente é uma insatisfação consigo mesma, sabia?
- Então se eu acho alguém imaturo, é porque eu que me acho imatura?
- Isso. Interessante, não?
- Que besteira... E o que você diria de alguém que não acredita em amor?
- Incapacidade da própria pessoa de amar... Encaro seu silêncio como identificação.
- Chega também, eu não preciso ser compreendida. Eu não preciso que me ouçam.
- É melhor mesmo. Em terra de cego, quem tem olho é morto por ameaçar a tranquilidade. E eu não aguentaria viver sem o teu belo rostinho.
- Eu to tão cansada de tudo isso! Por que acontece tanta coisa ruim comigo?
- Oras, imagine os contos de fada sem as partes ruins. "Era uma vez uma linda princesa que casou com um ilustre príncipe e viveram felizes para sempre."
- Mas a minha vida não é o entretenimento de alguém.
- Discordo, eu a acho especialmente divertida. Não me lance esse olhar. E de que importam as pedras no meio do caminho, só o fato de haver um caminho não é o suficiente?
- Eu sei, nós temos sorte de viver, blá blá blá blá blá.
- Temos mesmo. Tanta coisa poderia ter acontecido para nós acabarmos não nascendo...
- Como você consegue estar sempre tão calma?
- Apenas... não há nada que me deixe brava ou triste.
- Legal.
- Assim como não há nada que me deixe muito feliz. É o preço que se paga por essa paz imutável e sempre satisfeita.
- Isso é horrível.
- Oh não, não pense que eu me incomodo. É extremamente agradável, para dizer a verdade. Podem me olhar com admiração ou desprezo que não sou afetada. Posso pensar as coisas mais obscuras e não me impressionar. Imaginar e realizar todos os meus desejos e não me envergonhar. Posso até mesmo seduzir uma garota tola e curiosa como você. Sem culpa nenhuma. Vê como é agradável?
- Me solta, eu não quero mais saber dos seus carinhos, isso é cruel! Você esqueceria que eu existo no momento em que encontrasse alguém melhor.
- Provavelmente. Mas nenhuma de nós tem alguma escolha agora, não é?

3 comentários:

Anônimo | sábado, 19 junho, 2010

é? talvez não seja.
quando se conhece uma pessoa há um bom tempo acaba se criando uma coisa entre ela e vc.
ainda não consigo enxergá-la completamente, mas pelo menos consigo sentí-la.
esse tipo de vínculo não pode ser substituído ou jogado fora tão facilmente, pequena ninfa.
só pra constar, não sou a msma pessoa que estava falando com vc xD

Érica | sábado, 19 junho, 2010

"- Apenas... não há nada que me deixe brava ou triste.
- Legal.
- Assim como não há nada que me deixe muito feliz. É o preço que se paga por essa paz imutável e sempre satisfeita."

oh yeah.

Anônimo | domingo, 20 junho, 2010

"- O que te angustia, minha pequena ninfa?"

nice!

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