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Desde então

Dez e meia da noite e sinto que já está tarde. O bebê está dormindo na nossa cama, meu amor está assistindo televisão, e eu estou aqui. Tantos anos depois. Tentando recuperar essa coisa que era tão preciosa para mim, tão fácil na minha infância, e que me salvou na adolescência. Feliz, aliviada, contente por saber que este é um canto secreto. Meu canto de expressividade, minha dança de liberdade. Só escreve, só escreve...

Céus, faz quase 9 anos desde a primeira postagem. Quase 9 anos, e só agora sinto que estou realmente me curando daquela época. Então a proporção é de 8 para 1. 8 anos para me refazer de 1 ano de destruição. 8 anos de muito amor e cuidado para curar quase completamente - quase - as múltiplas feridas que uma única pessoa foi capaz de fazer em 1 ano. E tudo porque eu buscava tão desesperadamente por amor. Ah, as coisas que eu suportei por "amor". As situações que eu mantive por "amor". Olho para tudo isso aqui hoje e é tão claro... Hoje, quando se fala de relacionamento abusivo, de feminismo, de sororidade... Sinto compaixão pela pessoa que fui. Queria poder abraçá-la e dizer...

Você não merece isso.
Ninguém merece isso.
Isso não é normal.
Isso não é aceitável.
Isso não é amor, de nenhum dos lados.
Peça ajuda.
Você já tem pessoas à sua volta que te ajudariam.
Não é você quem tem que sentir vergonha.
Essa culpa não é sua.
Peça ajuda.

Mas eu não pude viajar no tempo e dizer isso. Eu só pude pedir ajuda por aqui, nessas pseudo-ficções. Que posteriormente me trouxeram o amor verdadeiro, incondicional, que faz bem, que todos deveriam conhecer ao menos uma vez na vida... Mas só depois de eu mesma ter conseguido sair daquilo. E tudo bem. As coisas aconteceram como aconteceram. Ficam acontecidas. E nós vamos nos curando delas, no nosso ritmo, como podemos, e tá tudo bem.
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Escrever

Escrever não é um hobby.
É uma compulsão.
Como uma sombra batendo em uma janela:
escreve escreve escreve escreve
Mesmo essas palavras, as palavras...
Elas surgem exigindo "me tira daqui me tira daqui"
Palavras claustrofóbicas.
Minha maldição e salvação.
Meu canto escuro de lucidez.
Meu berro involuntário de intimidade.
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O que aprendi em 3 anos longe da igreja

Minha família é evangélica desde que tenho 10 anos (e antes disso éramos católicos mais ou menos praticantes, quer dizer, minha mãe comprava estátuas da Maria e de outras santas que ficavam em lugares especiais da casa com velinhas na frente e umas outras coisas assim). Desde que minha mãe "nos converteu", passamos a frequentar uma igreja evangélica quase todos os domingos. Dei uma parada no terceiro ano do ensino médio, voltei com tudo no primeiro ano da faculdade (mas dessa vez em outra igreja) e parei de novo no segundo ano da faculdade. Agora estou no quinto ano da faculdade, o que significa que meu "auge de cristandade" já está a 3 anos de distância. Não cortei totalmente as relações com essa antiga vida, mas foi o bastante pra isso ser um marco na minha trajetória e me fazer pensar em comparações entre a eu "daquela época" com a eu "de agora". Pois bem. Nesses 3 anos em que estive longe da igreja, foi isto que aprendi, percebi e vivenciei:

  • todos estão tentando, sofrendo e tendo momentos felizes, e as "provações" e "bênçãos" dos cristãos não são mais dignas que as do resto do mundo;
  • há lugares muito mais hospitaleiros que uma igreja evangélica, lugares onde as pessoas têm umas coisas como empatia, compreensão, compaixão, perdão e aceitação incondicional, que eu nunca senti em uma igreja (e isso é ironicamente triste);
  • achar que você é salvo e o resto do mundo é pecador faz muitas pessoas se tornarem arrogantes-mor sem nem perceberem, e do alto dos seus pedestais (porque afinal, são elas que estão mais próximas do Céu), elas julgam-condenam tudo e qualquer coisa. Tentar compreender outras pessoas nem passa pela cabeça. A parte da Bíblia que diz para não julgar porque isso não é teu trabalho e nem te interessa também não passa pela cabeça;
  • essa noção de ser um dos poucos salvos em um mundo que jaz no maligno também faz muitas pessoas se tornarem paranoicas a ponto de internação, o que é engraçado porque se a sua fé é verdadeira e o seu Deus é todo-poderoso, não há motivo para ter medo de um ataque, abalo ou provocação;
  • ainda não entendo porque os cristão se fecham tanto entre si se uma das suas maiores preocupações deveria ser pregar o evangelho e salvar pessoas que eles teoricamente amam (exceto os calvinistas, que aí é outra história);
  • também não entendo porque alguns pecados são mais condenados que outros no ambiente das igrejas. Não é difícil encontrar alguém tipo "OS GAYS NÃO HERDARÃO OS REINOS DOS CÉUS", "SEXO SÓ DEPOIS DO CASAMENTO, SEM FORNICAÇÃO POR AQUI", mas nunca vi um "DAI A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR, SEU SONEGADOR DE IMPOSTOS!!". Freud diria que só tem proibição onde tem desejo;
  • crescer na igreja me fez ser incapaz de ver as coisas de outros pontos de vista e foi necessário um baita trabalho e muitas horas de ruminação angustiosa para conseguir me colocar no lugar do outro, compreender o outro e ver as coisas um pouco mais do jeito que o outro vê;
  • é possível duas pessoas brigarem por horas, berrando versículos da Bíblia na cara da outra, cada uma defendendo pontos de vistas opostos sobre uma questão que não tem importância ou que não é da conta delas. Só imagino Deus olhando e falando "que isso, não mete minha Palavra nisso não...";
  • "viver em comunidade" na igreja que eu frequentava parecia significar "fofocar e passar informação distorcida (mentiras) pra frente". Pelo menos fora da igreja as pessoas que fazem isso não escondem que adoram uma fofoca ou tentam dar um nome espiritualmente elevado pra coisa;
  • são poucos os cristãos que estão a fim de discutir ou conversar saudavelmente sobre alguma questão que, na verdade, todos temos dúvidas. A maior parte vai te dar uma resposta pronta que eles leram/ouviram por aí (tipo "Jesus só podia ser: um louco, um mentiroso ou realmente Deus", ou ainda "Porque para ser amor de verdade tinha que ter a escolha de não amar"). E raramente você encontra alguém que admite "Eu não sei. Mas isso não é obstáculo para a minha fé", o que me convence muito mais do que aquelas respostinhas que se acham marotas;
  • e apesar de tudo que eu mesma listei, ainda espero algum dia voltar a conversar e confiar em Deus como antes, porque pessoas são só pessoas, a gente erra mesmo, e a minha espiritualidade não depende (ou não deveria depender) de igrejas ou pessoas que frequentam igrejas. E se eu recuperar minha fé, da próxima vez estarei alerta e consciente dessas coisas e poderei ser diferente de tudo que critiquei aqui. 
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Vou ser sincera

Meu amor, eu te amo, mas acabaram os assuntos.

Então vou só ficar aqui
quietinha
acariciando seus pés
e pensando que você parece um leão com esses cabelos compridos
(aliás, quando vamos no cabeleireiro? Não dá de terça, nem de quarta, dá de segunda, mas segunda costuma estar fechado)

Vou ficar aqui
olhando seus olhinhos
seus olhinhos que parecem guardar o universo
e que têm cílios mais longos que os meus
Ai, a inveja
Mas tudo bem

Vou ficar aqui
Deixa que eu coloco um jazz
pra gente se sentir eleegaante e adulto
e dar uns beijos de adulto

Vou só ficar aqui
deitada ao seu lado
ou com a cabeça na sua barriga
ouvindo você respirar
e agradecendo por isso

Ficar aqui...
Sendo junto com você
Sendo nós
Opa, vamos tomar o chá antes que esfrie

E tudo bem que acabaram os assuntos
eles voltam
mas o que fica
é que eu fico aqui com você
e já tá ótimo.
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Fragmento com pé e sem cabeça #1 (o fragmento do balde)

balde balde cadê o balde??
o dia que eu achar esse balde eu chuto ele!
ahaha, ele vai sair voando e fazendo barulho de balde batendo pelos cantos
aí vão falar: "foi você que chutou o balde??"
e aí eu vou falar: "fui eu que chutei o balde!!"
e vou continuar: "chutei o balde e chutaria de novo de tão gostoso que foi!!"
aí vão falar: "uuuh, ela chutou o balde, ela chutou o balde."
aí vão me mandar em exílio pra américa central por ter chutado o balde
aí eu vou pra américa central
e lá é tudo tão BONITO!
que eu nunca mais vou querer voltar
mesmo quando falarem que tudo bem eu já posso voltar
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Quem diria

Será que você fez de propósito?

Muitas músicas me fazem pensar em você.
O céu azul e nublado me faz pensar em você.
Refeições me fazem pensar em você.
Dirigir me faz pensar em você.
Fechar os olhos me faz pensar em você.
Livros me fazem pensar em você.
Árvores me fazem pensar em você.
Coincidências me fazem pensar em você.
Quintas-feiras me fazem pensar em você.

Na verdade, acho que todos os dias da semana me fazem pensar em você.

Chocolates me fazem pensar em você.
Gramados me fazem pensar em você.
Ênclises me fazem pensar em você.
Sorrir me faz pensar em você.
Gratidão me faz pensar em você.
Escrever me faz pensar em você.
Gotas caindo do céu me fazem pensar em você.
O tempo passando me faz pensar em você.

...Pensar me faz pensar em você.

Se foi de propósito, foi muito bem feito.
E se não foi... Bem, mesmo assim te agradeço.
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Enquanto é possível

Agora estou rindo Sério, que chateação... Finalmente consigo pensar e me colocar, finalmente consigo
Com gosto e vontade recusar e dizer "não". E aí bam, uma resposta que basicamente me diz que seria
Rio, rio melhor se eu simplesmente continuasse sendo levada por essa correnteza de figuras masculinas que
Exalto-me se impõem e avançam além do que eu permito, como nos últimos três anos. Mas, quer dizer,
Faço um escarcéu acho que é a consequência né. Vá em frente, coloque a culpa em mim como você
Pois sei que há um ser apenas esperando eu sair daqui deseja fazer. É, que seja, a culpa 
Um ser, um monstro sempre foi minha mesmo. A culpa é minha, quem mandou usar essas roupas? A culpa é minha, quem mandou querer fazer amigos? A culpa é minha, quem mandou nascer com esse rosto? A
Ele vai me despedaçar culpa é minha, quem mandou sempre querer agradar? Bem feito. Agora vai ficar
É isso que dá ser frágil mal-falada mesmo. Aguenta, ué. Não foi você quem aguentou ser usada e
Já encontrei esse monstro outras vezes invadida durante meses? E não vai aguentar ser mal-
Tentei fugir dele falada? Agora vai perder os amigos mesmo, um a um. Fazer o que né. Nem pense no
Mas quanto mais longe estava quanto você se esforçou para enfrentar o medo e se abrir aos outros,
Mais parecida com ele fiquei isso só vai te deixar mais pra baixo ainda. Saia daqui, vá procurar outras
E então sou eu quem despedaça pessoas, outros lugares, sem nunca revelar a ninguém que você é
A fragilidade se vai uma fugitiva. A estabilidade não te quer, e te condenou a um permanente fluxo
E entro em suspensão, à espera da presa migratório de afetos. Bem feito. 
Mas quer saber? Não mais. Tô nem aí se você não consegue se controlar. E aliás, juro que castro o próximo
Então vá em frente que me falar isso. Quer falar de mim, fale. Acontece que eu cansei de me anular, e
Faça-me rir agora eu decido o que fazer com o meu corpo. Vou usar a roupa que eu quiser (e olha que
Faça-me rir escandalosamente minhas roupas nem são vulgares), e ao invés de condenar minhas
Até ser um incômodo às pessoas em volta roupas, condene essa falta de respeito generalizada e
Vá, rápido esses pais que foram incapazes de educar seus filhos para serem homens. Saiba que não sou
Antes que o monstro venha ao meu encontro mais uma criança que só vai ficar quieta aceitando
Antes que eu reflita sua imagem tudo a que lhe submetem. Eu tenho sentimentos, tenho sonhos,
Antes que eu ataque outro viajante tenho valores, tenho ideias, e não vou mais ignorá-los, doa a quem doer. P.S.: pisca pra mim se você leu este texto secreto.
Tarde demais.
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O último sobre ela

Olá, despertador. É hoje que me desfaço de você. Sabe por quê? Você é a única coisa dela que permaneceu aqui. Você é um despertador com uma história que rejeito. Desfiz-me de tudo que veio dela: fotografias, palavras, presentes, e esqueci-me de você. Porque você me era útil, você me acordava e me mostrava as horas. Mas é esse o problema. Não pode ser algo dela a me acordar e a me fazer levantar da cama. Assim como a referência de passagem de tempo da minha vida não pode ser algo dela. 
Desfaço-me de você e liberto-me do último resquício material dela. 
É assim que funciono: longe dos meus olhos, longe da minha mente. 
Finalmente. 
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Há algo de mágico

Há algo de mágico em espiar dentro de um buraco no tronco de uma árvore.
Há algo de mágico em andar descalço.
Há algo de mágico em encarar seu reflexo no espelho.
Há algo de mágico em se vestir de príncipe.
Há algo de mágico em soprar um catavento.
Há algo de mágico em fazer outro caminho para voltar para casa.
Há algo de mágico em encontrar um mistério.
Há algo de mágico em olhar para o relógio e ver 00:00.
Há algo de mágico em comprar pipoca em carrinhos de pipoca na rua.
Há algo de mágico em olhar nos olhos de alguém.
Há algo de mágico em segurar uma folha bem grande nas mãos.
Há algo de mágico em fazer uma barraca de cadeiras e lençóis na sala.
Há algo de mágico em olhar para cima.
Há algo de mágico em ser bem recebido em casa.
Há algo de mágico em chegar a uma resposta.
Há algo de mágico em chegar a uma pergunta.
Há algo de mágico em andar por aí com um palito com uma estrela na ponta.
Há algo de mágico em pensar a mesma coisa que alguém no mesmo momento.
Há algo de mágico em jogar purpurina para o alto.
Há algo de mágico em vestir uma grinalda de flores de verdade.
Há algo de mágico em deixar um balão voar para o céu.
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Voltei. Mas não pense que foi por você. Vim apenas para recuperar algo que você roubou que me pertence. Quem te autorizou a pegar um pedaço meu quando eu partisse? Devolva-o, agora. É meu e eu quero de volta.
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Sua voz é mágica

Ouço sua voz no telefone. Esforço-me para saborear ao máximo cada segundo em que ela ecoa na minha cabeça. Fico na esperança de que você não veja minhas palavras embaralhas por essa tímida alegria. Que não dê para você sentir minhas bochechas ficarem ainda mais rosadas. E fico torcendo para que não dê para ouvir meu sorriso pelo telefone, um sorriso só seu.
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Pomba branca

Já sonhei em ser princesa
Já sonhei em me casar
Esperei e esperei
Mas cansei de esperar

Cansei de treinar votos
Desejando o casamento
Meu vestido, antes branco
Estava mais pra amarelento

Vi um moço bem vestido
"Esse mesmo, tem que dar"
Mas ao invés de um romance
Ele quis me atacar

Pois então que dê o fora
Que eu não sou de lamentar
Por um qualquer aí da rua
Que não sabe me amar
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Conta-me uma história

Leva-me para longe daqui.
Presenteia-me com amor.
Prepara-te com tuas memórias.
Permite-me torná-la minha.
Abre-me para outros mundos.
Amplia-me para mim mesmo.
Encanta-me, não me ensines.
E quanto a tu, desaparece. 
E dá lugar à história.
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A comida ainda não tinha chegado. Eu acho. Talvez nós já estivéssemos comendo. De qualquer jeito. Eu estava falando sobre almôndegas. E na frase seguinte elas já tinham virado outra coisa:
"Às vezes eu me pergunto se as coisas nunca mais vão voltar a ser como eram antes."
Ela estancou os olhos em mim. Ficamos em silêncio dividindo a resposta que ambas sabíamos, em um ar de censura prestes a ser rompida.
"Não."
"Nunca mais."
Ficou tudo duro por dentro. Esquisito. Depois eu não lembro quem disse o quê, mas as palavras permaneceram:
"Desde quando tá assim?"
"Foi sutil."
"Quando começou?"
"Foi muito sutil."
"A gente foi dando um jeito... Se acostumando."
"E aos poucos ficou assim."
Assim: nunca mais. 
É difícil pensar em "nunca mais". 
Rigorosamente, as coisas nunca são iguais. Eu posso dizer que pego o mesmo caminho pra voltar pra casa todos os dias, mas não é o mesmo caminho. Não são as mesmas pessoas, não é o mesmo céu, não são os mesmos pensamentos, não é o mesmo vento, não são os mesmos passos. Mas eu não estou falando rigorosamente aqui.
Talvez você também já tenha se deparado com o nunca mais e entenda fundo o que estou falando. 
Vai aos poucos. Vai sutil. E você vai vivendo, dando um jeito. 
Não sei o que fazer.
Não sei nem o que reina aqui. Indiferença? Frustração? Raiva, melancolia, egoísmo...?
Tudo o que consigo fazer é ir dando um jeito. 
E foi assim.
Ficou assim.
Virou nunca mais. 
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Mundo real (2003)

No mundo real
Não existem favores,
Não existe leal,
Não existem amores.

No mundo real
Não existe confiança
Não existe casal,
Não existe esperança.

No mundo real
Não existe união,
Não existe ideal,
Não existe bom coração.

Este é um lugar
Cheio de ilusões,
Cheio de enganar,
Cheio de primeiras impressões.

Meu mundo é assim
Meu mundo é ruim
Pergunto "O que buscar?"
E só me respondem "Mudar!"
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Dois desenhos (final de 2008)




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Experimentos com texto e imagem (2009)

Páginas do meu livro experimental, feito entre julho e setembro de 2009. Não coloquei algumas que não gostei ou não ficaram boas (clique nas imagens para ampliá-las):


O x marca o tesouro


1ª página
"Quem mantém os pés no chão não sai do lugar"


"Veio de manhã molhar os pés na primeira onda / Abriu os braços devagar e se entregou ao vento / O sol veio avisar que de noite ele seria a lua / Pra poder iluminar Ana, o céu e o mar"
Frase com a palavra do livro: "Qual o propósito da lua?"


Deixe-se levar por coisas sem sentido


"Come now, my child. If we were planning to harm you, would we be lurking here, beside the path, in the very darkest part of the forest?"


"Se as estrelas caírem do céu, vamos plantá-las e criar um jardim"


Ao redor do personagem: "clothes life tomorrow time deadline rent yesterday humiliation traffic taxes bills money car apartment failure work diet ex"


"Eu mesma sou um pouco outono"

"Por que um elefante precisa ser cor-de-rosa para ser considerado notável?"
Eu acabei passando a ideia errada nessa página. Parece que eu quero dizer que se todos os elefantes fossem rosa, um cinza seria extraordinário. A ideia original é que um elefante, por si só, é extraordinário. A existência de uma pedra já é incrível. É inacreditável que esse mundo inteiro exista. Nossa existência é notável.


"Se o mundo é louco, então sou o único normal. Mas isso seria melhor se o mundo fosse normal e eu o único louco?"


"There's a part I can't tell / About the dark I know well / You say all you want is / Just to kiss goodnight / Then you hold me / And you whisper / 'Child, the Lord won't mind'"
Na versão em português: "Lá no fundo de mim / É um escuro sem fim / E me pede um beijo / E boa noite, amor / E me abraça e me sussurra sob o cobertor / 'Somos só nós dois' / 'Nós e um segredo'"


"They're not my home, not anymore. Not like they so were before" ["Eles não são meu lar, não mais. Não como se antes eles fossem"].
Em vermelho: "All the talks you never had. The Saturdays you never spent. And all of the crying you wouldn't understand. Were you really so blind and unkind? All thing ever wished are left behind. Left behind." ["Todas as conversas que você nunca teve. Os sábados que você não passou. E todo o choro que você nunca entendeu. Você realmente foi tão cego e cruel? Todas as coisas desejadas ficaram para trás. Para trás."]


Texto quase imperceptível: "Trancado eu estou e a jaula sou eu"



Direita: "This is the season for dreaming. And who can say what we are?" ["Esse é o tempo para sonhar. Alguém decifra a gente?"]
Esquerda: "Bring on tomorrow" ["Traga o amanhã"]


Criaturas se rebelando contra a criadora
Direita: "But, Jazz, you don't understand me!" ["Mas, Jessica, você não me entende!"]
Esquerda: I want to get out! ["Eu quero sair!"]


"Uma canção do mar dançava de tanto amor. Tudo andava desaparecido... Medo... Um dia demorou. De repente reparei a carta."


"Apologia ao criacionismo"


"Continuem! Mais um pouco e teremos controle sobre nossa história!"


"Ler as entrelinhas ler as entrelinhas ler as entrelinhas..."


"It's easier this way" ["É mais fácil assim"]


Um dia eu comprei um vaso de mini-rosas. Elas eram tão lindas que desejei que durassem para sempre.


"Is it always 'or', is it never 'and'?" ["É sempre 'ou', nunca é 'e'?"]


"Bokutachi no sakebi ga todokanakkata" ["Nosso grito não foi ouvido"]
São lágrimas de verdade.


"Esse rosto não é você"
Eu não sou as roupas que visto. Eu não sou o número da minha calça. Eu não sou a cor do meu cabelo. De verdade, nem esse rosto eu sou. Não me ligue ao meu rosto, a eu de verdade não é ele."


"Someone has to shield you from the world. Don't you know what's out there? Princes, yes, but wolves and humans too." ["Alguém tem que te proteger do mundo. Você sabe o que há lá fora? Príncipes, sim, mas lobos e pessoas também"]


"Hello little girl" "What's your rush?" "You're missing all the flowers" "Mother said not to stray" "Take your time" "Just one path would be so boring" "So many worth exploring" ["Olá, garotinha" "Por que a pressa?" "Você está perdendo as flores" "Minha mãe disse para não sair do caminho" "Vá com calma" "Só um caminho é tão chato" "Há tantos para explorar"]


Direita: suspiros são gritos contidos
Esquerda: temos que passar por cima dos obstáculos, não desviar deles


"Ilustrador! Se era pra viver assim, por que me criou em primeiro lugar?!"
"Tolo! Não existe um ilustrador! Somos apenas fruto do acaso e do tempo!"


"So dark... so dark... so dark..." ["Tão escuro... tão escuro... tão escuro..."]


Direita: "Eu peço, só peço, não calem o que eu não sei gritar"
Esquerda: "But there's nowhere to hide / From the ghost in my mind / It's cold in these bones / Of a man and a child / And there's no one who knows / And there's nowhere to go / There's no one to see / Who can see to my soul". Na versão em português: Mas não dá pra fugir / Lá do fundo do breu / É frio e sem cor / E a criança cresceu / E só eu enxerguei / E só eu conheci / Ninguém sabe ver / O que em mim só eu vi"]


Direita: "One thing I can tell you is you got to be free" ["Uma coisa que eu posso te dizer é que você tem que ser livre"]
Esquerda: "Você me olha e não me vê"


Última página
Texto praticamente imperceptível: "Lá vou eu como um barco sem estrelas e sem farol"

Principais citações e fontes de inspiração:
Livros do Jostein Gaarder (autor de O mundo de Sofia)
Spring Awakening / O Despertar da Primavera (musical)