A Transgressão da Árvore

Certa vez, voltando para casa, cruzei com uma árvore, bem, curiosa, na frente de uma padaria de luxo. Como explicar, a árvore era um pouco mais alta que eu e ao longo do seu tronco saíam inúmeras raízes, ou o que um leigo da botânica como eu julgaria ser raízes. Só que essas raízes se assemelhavam a, veja bem... Falos. De adulto pela espessura e de criança pelo comprimento. Ri da natureza como só os humanos riem da natureza e segui meu caminho, deixando a árvore onde estava.

Poucas semanas depois, fiz o mesmo trajeto e encontrei a árvore madura da puberdade, gloriando-se para quem quisesse ver e cometendo o crime do exibicionismo para quem não quisesse. Achei graça novamente e segui meu caminho, sabendo que perto de casa a árvore estava lá: feia, fálica e feliz.

Minha surpresa, no entanto, veio quando, poucos dias depois, encontrei a árvore sem nenhum de seus falos. Onde antes estavam suas explícitas marcas de singularidade no mundo das árvores, viam-se agora buracos, dezenas de buracos no tronco violentado. Minha conclusão foi uma só: os clientes da padaria faziam parte do grupo de pessoas que não queria ver a grandiosidade da árvore. Como pode tamanha indecência à luz do dia?, como explicar às crianças?, como manter puras as virgens? E com a razão que os clientes sempre têm, lá foi o jardineiro, como quem abate um irmão.

Pobre da árvore, castrada 47 vezes pela classe alta de São Paulo, sem nem saber o que fizera de errado.

1 comentários:

Elizabeth | segunda-feira, 16 novembro, 2015

Affeeewwwww ):

Postar um comentário