A Menina Triste e o Passarinho Solitário
Um dia a Menina triste falou:
- Passarinho, Passarinho, eu gosto muito de você!
E o passarinho solitário respondeu:
- Menina, também gosto muito de você!
- Quero ficar para sempre com você, Passarinho!
- Também quero ficar com você para sempre, Menina.
Então a Menina triste pegou um pedaço de barbante e amarrou as asas do Passarinho.
- Assim você não vai voar para longe e estaremos sempre com o outro!
A Menina triste sorriu satisfeita, pensando que com isso ela não seria mais triste e o Passarinho solitário não seria mais solitário. E os dois passaram muitos dias juntos, dizendo juras de amor um ao outro.
No entanto, um dia a tristeza da Menina voltou.
"Será que o Passarinho fica aqui porque ele gosta mesmo de mim ou porque não pode mais voar?", ela pensou.
Então a Menina triste desamarrou o barbante das asas do Passarinho solitário, e o Passarinho saiu voando e cantando pela janela.
A Menina triste começou a chorar e berrar. E o Passarinho solitário voltou para dentro de casa no mesmo instante.
- Desculpe, Menina! Por favor, não chore! É que o céu é tão bonito que me dá vontade de voar. O que posso fazer para você não ficar mais triste?
A Menina triste soluçou algumas vezes mais e então pegou uma tira de pano para cobrir os olhos do Passarinho.
- Assim você não vai ver o céu e não vai ficar com vontade de voar para longe!
A Menina triste sorriu, pensando que com isso ela não seria mais triste. E os dois passaram muitos dias juntos, dizendo juras de amor um ao outro.
Porém, certo dia, a Menina voltou a ficar triste.
"E se a venda cair dos olhos do Passarinho e ele vir o céu e voar para longe?"
Então ela comprou uma gaiola e o colocou com cuidado lá dentro. E os dois passaram muitos dias juntos, ela olhando seu Passarinho vendado e ele paradinho lá dentro da gaiola.
Quanto mais dias passavam, mais triste a Menina triste ficava.
"Será que eu gosto mesmo do Passarinho?", ela se perguntou.
Então a Menina triste abriu a porta da gaiola e tirou a venda dos olhos do Passarinho. Mas o Passarinho continuou paradinho onde estava.
- Você não vai voar para longe?
- Acho que me acostumei a ficar aqui. É confortável… Não tenho que ir atrás de comida, nem bater as asas. Bater as asas pode ser cansativo às vezes.
Não sabia por quê, mas de repente a Menina triste ficou também muito brava. Ela pegou o Passarinho solitário e o colocou no parapeito da janela.
- Voa.
- Não quero.
- Voa.
- Não.
- Voa! - e deu um empurrãozinho.
O Passarinho solitário pôs-se a bater as asas e voou para longe. A Menina triste ficou olhando ele ficar cada vez menor e menor, até ficar tão pequeno que ela não conseguia mais vê-lo.
E os dois passaram muitos dias sem o outro.
A Menina triste começou a brincar fora de casa com outras crianças que gostavam muito de brincar com ela.
O Passarinho solitário conheceu muitos outros passarinhos que lhe ensinaram novos jeitos de voar.
Um dia, quando a Menina triste não era mais triste e o Passarinho solitário não era mais solitário, eles se encontraram por acaso em uma esquina. E a Menina e o Passarinho perceberam que agora sim poderiam ser grandes amigos.
6 comentários:
Acho que escrevi esse em maio desse ano, mas acabei não postando na época, então aqui está.
Me soa estranhamente familiar (;
Legal os seus textos!!! Gostei!!!!!
Menina! Cadê a minha bolsa?????
Nariyoshi:
o blog inteiro, baby
Lincoln:
Thanks! Mas supera esse negócio da bolsa menino D:
muito bonito! pena que a conclusão deixou a desejar (=
A menina me dá nojo, ela é tão legal...
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