A busca
A personagem era uma garota de estatura mediana, porque é mais provável que ela fosse de estatura mediana do que especialmente alta ou especialmente baixa. Por isso chama média né. Okay, não necessariamente, o mais correto seria dizer moda, mas eu tirei 2,5 ou menos na prova de Estatística, então finjamos que o que eu falei tá certo. O cabelo dela pode ser do jeito que você quiser imaginar, assim como os olhos, o nariz, os dedos, os cotovelos e o umbigo. Não, retiro essa última parte, o umbigo dela não era pra fora. Eu não tenho nada a ver com o umbigo dela sendo pra fora ou não, simplesmente não era.
Essa era a personagem. Sinto-me tentada a dizer que o lugar era uma floresta, mas de floresta e árvores já escrevi demais, então que o lugar seja Paraty. Se você não sabe onde fica Paraty, o lugar é Jericoacoara. Se você também não sabe onde fica Jericoacoara, procure no Google que eu não quero explicar e me desviar da história.
Agora que já falei da personagem e do lugar, vou começar a contar a história. A história começava antes, mas vou mostrar mais ou menos do meio, aí é só subir na maria-fumaça em movimento. Juro com os dedos cruzados nas costas que não vai ser difícil, é uma maria-fumaça, não um metrô.
:
- Não se preocupe, garotinha, eu vou te ajudar a te encontrar!
- Oh, muito obrigada!
- Vamos ver... Como você é?
- Como eu sou? Eu não sei como sou!
- Mas como você quer achar uma coisa que você nem sabe como é?! É boba, é?
- Bobo é você.
- Eu estou tentando te ajudar.
- Tá bom, tá bom... Eu... Eu acho que sou... Ah, eu não sei! Não sei nem que forma que tenho, nem se tenho uma forma, ou se é como vapor, ou vapor invisível! Não sei se tenho cor ou cheiro... Sei apenas do meu invólucro, do meu invólucro sei. O que procuro, não sei como é.
- Assim fica difícil! Não vou te ajudar mais.
Então a garota continuou andando por Paraty ou Jericoacoara. Era relativamente cedo, se bem que a garota não acordava tão cedo assim, mas posso dizer que ainda era de manhã, e tinha sol no céu. Ela obviamente não tinha passado protetor solar antes de sair de casa, porque passar protetor dá preguiça. Mas não se arrependia de não ter passado protetor, porque sabia da preguiça que dava, então ela apenas continuava a andar, procurando o que havia perdido no meio da noite. Hora ou outra ela encontrou um Coelhinho marrom, tão bonitinho e de olhos tão grandes que dava vontade de chutar. Teria-o feito, se ele não tivesse falado primeiro:
- Olha uma garota! O que você tá fazendo, hein?
- Eu acho que me perdi.
- Ah, neste caso, você está nas proximidades de Paraty ou de Jericoacoara! 3km pra lá dá no centro da cidade.
- Não, não é isso! Quero dizer que eu perdi a mim mesma.
- ...That`s weird.
- Acho que fugi no meio da noite, não sei. Lembro que me falaram alguma coisa ontem à noite que me fez querer ir passear, e eu deixei. Geralmente eu volto antes de acordar, mas dessa vez, a manhã veio e eu não voltei. Agora eu não sei onde eu estou.
- Se você não está aí... Então quem é essa com você? - o Coelhinho começou a gargalhar, e teria saído saltitando se a garota não o tivesse chutado primeiro.
Fazer o quê, continuou andando, não podia voltar à sua vida sem ela mesma né. Olhou atrás de troncos finos, cavocou a areia, forçou os olhos para ver o horizonte... E nada. Lá pelo meio dia, uma da tarde, a garota estava com tanta sede que foi beber água em uma lagoazinha que encontrou por lá. Acho que era uma poça bem grande na verdade, mas não conte nada para a garota. Ao se debruçar sobre a lagoazinha, viu uma coisa na água e gritou:
- Ei! Você sou eu?!
E a coisa na água respondeu:
- Se você acha que eu sou você, você deve estar muito perdida mesmo.
- Ah, é, me enganei. É que foi de relance, tá? Mas você é só o invólucro. Não, nem o invólucro você é.
- Não sou mesmo.
A garota bebeu a água e foi embora. Estava quase desistindo de procurar, então começou a fazer o caminho de volta para casa. No caminho de volta, se deparou com um Espantalho sábio, o que foi muito estranho, porque espantalhos não são sábios e porque não havia espantalho nenhum no caminho de ida.
- Nem precisa falar! Eu já sei o que você busca...
- Ai, obrigada! Escrever Falar dá tanta preguiça!
- Bem sei, minha cara, bem sei... E escute-me! Digo e disso tenho certeza: não há necessidade de continuar apreensiva. Você vai encontrar o que busca.
- Como você sabe?!
- Porque isto é uma história. Histórias têm começo, meio e fim. Esta história também terá um fim. E ninguém se daria ao trabalho de escrever uma história sobre busca do próprio eu sem concluí-la de maneira bonita.
- Oh, acho que você tem razão!
- Eu tenho.
- Muito obrigada, seu espantalho!
E a garota continuou a fazer o caminho de volta, feliz com o seu novo destino. Talvez fosse assim que eram as coisas: era só deixar de procurar e de se preocupar, que ela encontraria aquilo que estava buscando! E essa seria a moral da história.
Quando a garota estava quase chegando em casa, veio correndo em sua direção aquele primeiro ser que disse "Não se preocupe, garotinha, eu vou te ajudar a te encontrar!" Ele estava segurando uma boneca de pano, muito parecida com a garota, especialmente pela estatura proporcionalmente mediana.
- Olha, garotinha, olha! Eu te achei! Aqui está! Você!
- Ahm... Essa não sou eu não.
- É sim!
- É não.
- Mas olha como é parecida!
- Mas não sou eu. Andei pensando viu, e acho que
