Domingo
Mais alguém aí sabe o quão vasta e vazia é a madrugada? Tenho tido pesadelos que me fazem acordar para o escuro. Não suspiro de alívio por ser apenas um sonho, como antes fazia, mas choro como uma criança que não tem ninguém a quem correr no meio da noite, e de alguma forma me sinto grata ao pesadelo por me facilitar o caminho até as lágrimas. Não posso contra esses momentos feitos para o descanso. Tenho medo de ficar com os olhos abertos e ver algo terrível, tenho medo de fechar os olhos e não ver mais nada, tenho medo de me levantar e tenho medo de continuar deitada. Então fico bem parada, amparada pelo calor das minhas lágrimas. É gritantemente reconfortante.
O mesmo acontece quando, por algum livro envolvente ou algo do gênero, permaneço acordada até esses horários de silêncio. De madrugada não tenho defesas contra a completa falta de sentido. Que grande vazio é ter tudo o que quer. Que imensa falta se sente tendo-se tudo.
As madrugadas estão começando cada vez mais cedo. Consigo resistir enquanto está claro lá fora, mas por favor não me deixe sozinha à noite. Talvez o que eu deva fazer é ir dormir assim que escurece e torcer para não ser acordada por outro pesadelo.
Hoje eu dormi até umas 16h20. Foi só aí que realmente saí da cama. Andei até a cozinha, e no caminho percebi que não estava mais nublado. Entrava sol pelas janelas. Pela primeira vez em semanas eu me senti bem, de verdade, e não apenas "bem". Até arrumei o meu quarto (eis algo sobre mim: quando não estou bem, não arrumo o meu quarto, deixo as roupas se empilharem em cima da mesa e os livros acumularem poeira). Pensei então que o que me faltava era sono, simplesmente. Estive dormindo pouco, ah, isso explica tudo, agora estou bem finalmente, e não só "bem".
Bem... Ainda nem escureceu, e já voltou tudo. Acho que agora as minhas madrugadas começam às 18h.
Sinto que não estou mais aqui. Quero só aquele calor que tenho. Perdi-me. Perdeste-me.
1 comentários:
"si sveglia e la notte è
già così lontana
già lontana..."
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