Uma dessas histórinhas que só se conta e não há muito além disso

Ah, com quanta inocência eu, uma menina aos 16 anos, e aquela outra menina cujo nome não vou aqui mencionar, também com 16, usamos três minutos da história do tempo deitadas de cabeça para baixo em um sofá, na casa de um colega da natação. Estávamos em uma pequena reunião depois de uma competição em que ninguém ficou em último lugar, e isso já era motivo suficiente para celebrarmos. Éramos menos de 10, uns 8 ou 9, não especialmente amigos uns dos outros porque não se fala muito durante um treino de natação, mas tínhamos alguma consideração pela existência de cada um. 

Houve um momento em que eu estava sentada em um sofá junto com aquela menina, sem falarmos nada... Ela virou de cabeça para baixo e apoiou os pés na parte de cima do sofá, eu vi e fiz o mesmo. As outras pessoas estavam de pé atrás do sofá ou em outros cômodos, então ninguém conseguia ver nossas cabeças. Por isso, eu já esperava pelo que ela disse a seguir:

"Vamos nos beijar?"

Dei um beijo rápido em seus lábios que já estavam no formato dos de um peixinho. Ela abriu os olhos e falou meio rindo:

"Não só assim!"

Não pensei muito, talvez tenha só passado um "Por que não?" pela minha cabeça, e me aproximei dela novamente. Beijamo-nos mais demoradamente, sentindo nossas línguas brincando uma com a outra. Foram três minutos bonitos. Eu, não sentindo nada especial com aquele beijo, mas nem por isso sem me agradar, pois a menina tinha um charmezinho juvenil e um rosto bonitinho, e ela - eu ouvira falar - apenas gostava da sensação relativamente nova de beijar, e beijar especialmente meninas, que não levavam a experiência para o lado pessoal ou, na pior das hipóteses, não demoravam para se curar de um coração ferido. Ficamos lá, estávamos lá, até que simplesmente separamos nossos rostos e nos olhamos sabendo que aquele era o término daquele momento. Eu me levantei e fui pegar mais refrigerante e conversar com o menino com os ombros mais largos da nossa turma. Ela também deve ter ido fazer alguma outra coisa. 

Foi isso, faz quatro anos. Tive que parar a natação no final daquele ano, para estudar para os vestibulares, mas recentemente fui à piscina da faculdade, minha primeira piscina desde que deixei de nadar, e o cheiro do cloro me trouxe a sensação desse beijo. A menina (e suponho que eu também) cheirava a cloro aquele dia. Tive que forçar minha memória para entender porque o cheiro do cloro me fez pensar em um beijo, e então me lembrei de tudo isso. Foi um acontecimento tão isolado e estranho, mais parecido com um sonho, que eu até esqueço de contá-lo ao meu namorado. Bem, aqui está, escrito para eu não me esquecer novamente. 

1 comentários:

Elizabeth | sábado, 06 abril, 2013

Verdade ou não, o fato é que o cheiro carrega lembranças, isso às vezes me deixa louca.

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